PAPO DE ESPECIALISTA
Pais, deixem seus filhos se entediarem:o ócio é essencial para o desenvolvimento
Em meio a rotinas cheias e estímulos constantes, o tédio torna-se essencial para que as crianças aprendam a imaginar, criar e desenvolver autonomia....
Publicado em 24/10/2025 às 11:00
Como neuropsicopedagoga, uma das coisas que mais observo nas rotinas das crianças e adolescentes hoje é a ausência do ócio e, consequentemente, a falta de tempo para o simples “não fazer nada”. Vivemos em uma era de agendas cheias, compromissos sobrepostos e estímulos constantes. São aulas, cursos, treinos, telas… e cada vez menos espaço para o silêncio, o tédio e a pausa.
Mas é justamente nesse espaço o do ócio que mora uma parte essencial do desenvolvimento humano. O ócio não é perda de tempo. É tempo de elaboração. É o momento em que o cérebro, livre de comandos e cobranças externas, organiza o que aprendeu, cria novas conexões e exercita a imaginação. " faz coisas do arco da velha" oque faz dele um ser mais funcional!
Quando uma criança fica entediada, ela está sendo convidada a lidar com o próprio pensamento. É nesse “vazio” que ela inventa, cria histórias, transforma objetos, faz perguntas e busca respostas. É no ócio que nasce a curiosidade, a criatividade e a autonomia.
Vejo muitos pais reclamarem que os filhos “não usam os brinquedos” que logo os deixam de lado. Mas por que isso acontece? As crianças de hoje estão tão cheias de informações e estímulos que mal conseguem se concentrar ou se esforçar para criar novas possibilidades de brincar. Um kit de blocos, por exemplo, vira apenas castelos... e não mais caminhas para bonecas, garagens para carrinhos ou muralhas de aventuras e outras coisa mais ...
Isso acontece porque o brincar criativo exige tempo. Tempo para pensar, para explorar, para imaginar o que mais aquele objeto pode ser. E é justamente no ócio que essa elaboração acontece. Quando tudo já vem pronto, quando o brincar é sempre direcionado por adultos ou telas, o cérebro infantil perde a oportunidade de criar novas conexões e de reinventar o mundo ao seu redor.
Por outro lado, quando tudo é planejado e cronometrado, tiramos da criança a oportunidade de construir repertório emocional e cognitivo a partir da experiência espontânea. A hiperestimulação seja por excesso de atividades ou pelo uso contínuo de telas impede o cérebro de descansar e de integrar o aprendizado.
Por isso, quero provocar você, pai, mãe ou cuidador: quanto espaço de ócio existe na rotina do seu filho? Ele tem tempo para brincar livremente? Para observar as nuvens, desenhar sem propósito, ficar quieto, se entediar?
O desenvolvimento pleno não acontece apenas na escola ou nas terapias. Ele acontece também no quintal, no quarto, no chão da sala. A pausa é parte do processo. O ócio é, sim, um terreno fértil para o desenvolvimento infantil e infantojuvenil. Permitir o ócio é permitir que a criança se encontre com ela mesma e é nessa descoberta que ela aprende a pensar, criar e ser. Vai por mim, " Ela não ter o que fazer, pode fazer muito pela sua criança"
By Lunnara Zamberlan
Neuropsicopedagoga Clínica, Institucional e Hospitalar/SBNPp-1269 , Psicopedagoga Clínica, Especialista em Autismo, com anos de experiência e diversas expertises na área, atuando em atendimentos voltados ao público infanto-juvenil.
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Fonte: Lunnara Zamberlan, Neuropsicopedagoga
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