PAPO DE ESPECIALISTA
Criança doente não vai para a escola: um cuidado necessário
Em períodos de maior circulação de vírus, atitude das famílias protege a criança e toda a comunidade escolar.
Publicado em 18/03/2026 às 07:00
Eu tenho olhado com bastante sensibilidade para a realidade das famílias, especialmente neste período em que as gripes e outras infecções estão mais presentes. Sei que não é simples reorganizar a rotina quando uma criança adoece. Muitos pais precisam trabalhar, têm compromissos e contam com a escola como um apoio importante no dia a dia. Essa é uma dificuldade legítima e precisa ser acolhida, não julgada.
Ao mesmo tempo, na minha prática clínica, tenho acompanhado um movimento que me preocupa. Crianças chegando mais indispostas, com sintomas evidentes, menos responsivas, mais cansadas… e, muitas vezes, sem condições reais de aproveitar aquele momento seja na escola, seja na terapia.É nesse ponto que precisamos, com cuidado e responsabilidade, fazer uma reflexão importante.
Em momentos em que gripes, resfriados e outras infecções se tornam mais frequentes, é comum vermos sintomas como febre, tosse, coriza e indisposição. Diante disso, sempre que a criança não estiver bem, é fundamental avaliar com cautela a necessidade de mantê-la em casa, evitando a ida à escola ou à terapia, salvo quando houver orientação médica em contrário.
Eu costumo dizer às famílias que o desenvolvimento da criança não acontece a qualquer custo. Quando ela não está bem, o corpo dá sinais claros de que precisa de pausa, de cuidado e de recuperação. Uma criança adoentada dificilmente consegue se envolver, aprender ou responder como de costume. Antes de qualquer estímulo, ela precisa descansar.
Além disso, há uma questão coletiva que não pode ser ignorada. Muitas dessas condições são contagiosas. Ao levar uma criança com sintomas para a escola ou para atendimentos, existe um aumento no risco de transmissão para outras crianças, professores e profissionais. Com isso, criam-se ciclos de adoecimento que impactam todo o ambiente.
É importante lembrar também que a escola e os profissionais não substituem o cuidado de saúde necessário nesse momento, especialmente quando a criança apresenta sinais de adoecimento.
Diante de qualquer sintoma, o caminho mais seguro é buscar avaliação médica. É o profissional de saúde quem poderá orientar sobre o diagnóstico, os cuidados necessários e o momento adequado para o retorno às atividades. Mais do que uma regra, essa é uma atitude de cuidado, responsabilidade e respeito.
Famílias, tenham isso em mente: criança doente precisa de acolhimento, de atenção e de recuperação. Não é o momento de exigir desempenho, nem de manter a rotina a qualquer custo. É o momento de cuidar.
By Lunnara Zamberlan
Neuropsicopedagoga Clínica, Institucional e Hospitalar/SBNPp-1269 , Psicopedagoga Clínica, Especialista em Autismo, com anos de experiência e diversas expertises na área, atuando em atendimentos voltados ao público infanto-juvenil.
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Fonte: Lunnara Zamberlan, Neuropsicopedagoga
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