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CONSCIENTIZAÇÃO

Abril Azul: Entender o Autismo é o primeiro passo para incluir de verdade

Lunnara Zamberlan explica: como incluir de verdade no autismo além das hashtags, práticas que transformam. Leia e faça parte da mudança.

Publicado em 01/04/2025 às 08:50
Atualizado em

(Foto: Acervo profissional- Lunnara Zamberlan)

Todo abril, as redes sociais se enchem de hashtags como #AbrilAzul e #ConscientizaçãoDoAutismo. Como profissional com mais de dez anos acompanhando famílias e crianças no espectro, valorizo essa visibilidade, mas questiono: será que a reflexão se limita ao online?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é cercado de mitos. Já atendi pais em pânico após ouvirem que "autismo é doença". Por isso, reforço: conscientização começa quando trocamos o medo pela curiosidade. Entender que o TEA não é uma patologia a ser "curada", mas uma condição que demanda acolhimento e adaptações, é essencial.

Repito constantemente: se você conheceu uma pessoa com autismo, conheceu uma pessoa com autismo! o "Autismo não tem cara" O espectro abrange desde indivíduos não verbais, que necessitam de apoio intensivo, até aqueles que, embora verbais e independentes, enfrentam desafios como sensibilidade sensorial a ruídos ou dificuldade em decodificar linguagem não literal (ironia, metáforas), dificuldades cognitivas, ou peculiaridades que são grandes habilidades. A diversidade é a regra, não a exceção.

Campanhas são válidas, necessárias, mas o impacto real está no cotidiano: na escola que adapta metodologias, no empregador que produz e flexibiliza processos, na sociedade que escuta as vozes do espectro. A conscientização precisa ser genuína.

Como neuropsicopedagoga, ao longo dos anos atuando também com a comunidade escolar, uma das principais perguntas que recebo é: "Como incluir crianças com autismo na sala de aula?". A resposta, porém, é menos complexa do que imaginam: pequenos ajustes geram grandes transformações.

Na Prática:

-Seja claro nas regras: Evite instruções vagas, por exemplo, como "comporte-se". Explique de forma objetiva: "Fique sentado até o sinal tocar".

-Respeito à sensibilidade: Luzes intensas ou ruídos repentinos podem causar sobrecarga. Ofereça um espaço calmo para recarregar e se regularem.

-Autonomia corporal: Abraços ou toques não são obrigação. Respeite o espaço físico como sinal de cuidado genuíno.

E a inclusão não para na escola: é um compromisso social. Praças, mercados e outros, devem ser espaços onde todos possam existir como são, não como esperamos que sejam.

Conscientização que Transforma:

-Não julgue: Ao presenciar uma crise em público, substitua olhares críticos por um simples "Precisa de ajuda?".

-Pergunte, não suponha: Se convive com alguém no espectro, descubra suas preferências diretamente.

-Reflita: Como você gostaria que o mundo agisse se fosse seu filho, seu irmão ou você mesmo precisando estudar, trabalhar ou simplesmente existir em espaços públicos? Trate os outros como gostaria que tratassem a você ou aos seus. Seja empático.

Meu Convite para Além do Like:

-Compartilhe informações confiáveis sobre TEA para ampliar a conscientização.

-Destaque e apoie iniciativas locais, como o GEA (Grupo do Espectro do Amor), que neste sábado (05) realiza uma passeata de conscientização e inclusão com concentração às 7h30 na rodoviária municipal, seguindo até o semáforo central. Além do evento, o grupo inaugura sua sede em frente ao Banco do Brasil, em São Miguel do Guaporé, e promove ações solidárias na região.

-Educadores: Proponha atividades sobre neurodiversidade em sala.

-Empresários: Avalie como produzir vagas de empregos, tornar processos mais acessíveis. Atue de forma explicita quanto aos direitos da pessoa autista.  

-Famílias: Converse sobre diferenças com as crianças e adolescentes.

Porque o azul de abril é um lembrete para que, mesmo quando as campanhas terminarem, sigamos construindo um mundo onde inclusão signifique respeito todos os dias.

Para Apoio Especializado

Como neuropsicopedagoga com especialização em TEA, atuo há anos apoiando crianças, famílias e educadores no espectro autista. Se você busca orientação individualizada, estratégias educacionais adaptadas ou simplesmente deseja tirar dúvidas, estou à disposição em minha clínica. O autismo não é uma jornada solitária, e juntos podemos construir caminhos mais inclusivos.

Entre em contato para agendar uma consulta, esclarecer duvidas ou entender mais sobre o autismo.

-E-mail: lunnara.a.z@gmail.com

-WhatsApp: (69) 98128-3703 

Enxergue com o coração. O mundo fica melhor assim.

Fonte: Portal da Cidade São Miguel do Guaporé

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