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Proposta de reserva indígena gera tensão em Seringueiras e São Francisco

Estudo para nova demarcação pode afetar mais de 5 mil famílias; comunidade indígena local Puruborá se posiciona contra a área proposta.

Publicado em 20/10/2025 às 16:06
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A retomada dos estudos para a criação de uma reserva indígena destinada às etnias Puruborá e Miguelem está causando apreensão entre milhares de produtores rurais na divisa dos municípios de Seringueiras e São Francisco do Guaporé. A área em questão, localizada na altura do Km 32 da BR-429 (região do Manuel Correia), pode impactar mais de 5.000 famílias que vivem e produzem na região há décadas. Em uma reviravolta incomum, parte dos membros da própria etnia Puruborá que residem no local se manifestaram contrários à proposta, alegando que ela cria uma nova injustiça.

O centro da preocupação é o impacto social e econômico. Moradores e lideranças locais afirmam que as famílias ameaçadas pela demarcação não são invasoras ou grileiros. Muitos chegaram à região com a abertura da BR-429, nos anos 80, e afirmam ter recebido seus lotes do próprio INCRA. "São pessoas que compraram suas terras, têm documentação", destacou a reportagem no local. A área é altamente produtiva, com foco em café, leite e gado de corte. A remoção dessas famílias, muitas das quais idosas e doentes , significaria "matar o sonho das pessoas", como desabafou Dona Rosângela, uma das descendentes indígenas.

A equipe de reportagem ouviu diversos membros da comunidade Puruborá, incluindo filhos e netos da matriarca Dona Emília. Os membros ouvidos são enfáticos: a luta deles não é contra os produtores rurais, com quem afirmam ter uma "boa convivência" e nenhuma ameaça. Segundo Sr. Francisco, que nasceu na região há 60 anos, sua família (indígena) continuaria na terra caso a reserva fosse criada, mas eles estão lutando em defesa dos vizinhos. "Não concordamos com a injustiça que estão cometendo. Esse povo não merece isso", disse Rosângela.

Os indígenas locais argumentam que a FUNAI e outros órgãos federais estão tentando corrigir um erro antigo cometendo um novo. Dona Francisca, neta da matriarca, explica que a reivindicação original de sua avó era por terras localizadas dentro da hoje Reserva Indígena Uru Eu Wau Wau, de onde ela teria sido expulsa pela própria FUNAI. Um documento de 2005, assinado pelas prefeituras de Seringueiras e São Francisco, já contestava a mudança da área de demarcação, indicando que os Puruborá foram expulsos da nascente do Manoel Corrêa com o Caio Espindola, hoje reserva Uru para a Uru Eu Wau Wau e os Miguelem residiam one hoje é a Reserva Biológica do Guaporé. "Não se conserta um erro cometendo outro", afirmou Francisca.

A situação gerou um apelo unificado de moradores e da própria comunidade indígena local. Eles pedem que as autoridades federais, incluindo FUNAI, INCRA e a classe política de Rondônia (deputados federais e senadores) , venham à região "conhecer a história verdadeira" e não se baseiem apenas em relatórios. A preocupação é que uma decisão administrativa desaloje milhares de pessoas que construíram suas vidas na região, pois, segundo os moradores, "ninguém indeniza sonho e a vida inteira de uma família".



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