PAPO DE ESPECIALISTA
O que um simples cantinho da leitura pode fazer pelo desenvolvimento de uma criança?
Neuropsicopedagoga Lunnara Zamberlan mostra como um ambiente acolhedor pode incentivar a leitura e favorecer o desenvolvimento infantil
Publicado em
28/07/2026 às 11:30
Atualizado em
Esta semana, uma cena aqueceu meu coração e reforçou uma certeza que carrego há muitos anos!!
Uma das crianças que acompanho entrou no cantinho da leitura, escolheu um livro e, espontaneamente, deitou para folheá-lo. Ninguém pediu. Ela simplesmente quis estar ali.
Enquanto observava a cena, pensei: cantinho usado com sucesso! Foi por causa desse momento que decidi escrever esta matéria.
Uso de imagens autorizado pela mãe.
Quem me conhece sabe que eu sempre acreditei no cantinho da leitura. Não apenas como neuropsicopedagoga, mas também como mãe. Meus filhos cresceram com livros ao alcance das mãos. Nunca tivemos um espaço sofisticado. Era um cantinho simples, feito com o que era possível, mas pensado para que os livros estivessem sempre presentes.
Imagens de acervo pessoal- Lunnara Zamberlan
Porque, para mim, um cantinho da leitura vai muito além de incentivar o hábito de ler....
Ele pode oferecer à criança um lugar de acolhimento, onde ela encontra tranquilidade e pode desacelerar. Pode despertar a curiosidade, permitindo que o contato com os livros aconteça naturalmente, sem cobranças. E também favorece o desenvolvimento da linguagem, da imaginação, da atenção e da criatividade, mesmo quando a criança ainda não sabe ler.
É por isso que sempre incentivo famílias e todos os espaços que acolhem crianças a reservarem um cantinho para os livros. E quero desmistificar uma ideia: esse espaço não precisa ser bonito para as redes sociais. Ele precisa fazer sentido para a criança. Sempre que possível, monte esse cantinho com ela. Quando participa dessa construção, a criança desenvolve um sentimento de pertencimento, tornando aquele ambiente ainda mais acolhedor e aumentando as chances de que ela o utilize espontaneamente.
Basta um tapete, uma almofada, um travesseiro ou uma cesta com livros. O mais importante é que a criança tenha acesso. Que ela possa olhar, pegar, folhear e escolher um livro quando sentir vontade....
Acredito que muitas famílias desejam formar leitores, mas, sem perceber, acabam oferecendo os livros apenas na hora da tarefa. A leitura, então, passa a ser vista como obrigação. E eu acredito no contrário. Acredito que a criança precisa conviver com os livros. Precisa crescer sabendo que eles fazem parte da rotina, assim como os brinquedos, os lápis e as brincadeiras.
Essa cena que vivi esta semana foi simples. Talvez passasse despercebida para muita gente. Mas, para mim, ela confirmou que, quando oferecemos um ambiente acolhedor e oportunidades, as crianças nos mostram o caminho.
E, se este texto inspirar uma família a separar um pequeno cantinho da casa para colocar alguns livros ao alcance dos filhos, já terá cumprido seu propósito.
Porque, às vezes, um pequeno cantinho é o começo de uma grande história.
*Nenhuma das imagens anexas a esta matéria está autorizada para reprodução, utilização, compartilhamento, distribuição ou veiculação, total ou parcial, em qualquer meio de comunicação, plataforma ou rede social, sem autorização prévia e expressa da neuropsicopedagoga Lunnara Zamberlan.
By Lunnara Zamberlan
Neuropsicopedagoga Clínica, Institucional e Hospitalar/SBNPp-1269 , Psicopedagoga Clínica, Especialista em Autismo, com anos de experiência e diversas expertises na área, atuando em atendimentos voltados ao público infanto-juvenil.
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Fonte: Lunnara Zamberlan, Neuropsicopedagoga
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