CONFLITOS
Entenda como a tensão entre Irã e EUA pode afetar a economia de Rondônia
Conflito afeta a produção agrícola por dependência de fertilizantes do Irã. Rondônia concentra grande parte das compras brasileiras de ureia do país.
Publicado em 13/03/2026 às 08:55
A Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero) divulgou nesta semana um alerta sobre possíveis reflexos do conflito no Oriente Médio, envolvendo Irã e Estados Unidos, na economia do estado. Segundo a entidade, a situação pode afetar tanto a importação de insumos essenciais para a produção agrícola quanto a exportação de grãos.
Um dos pontos de maior preocupação é a ureia, fertilizante sólido muito usado na adubação de cobertura. Em 2025, segundo a Fiero, o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos, sendo US$ 66,8 milhões apenas em ureia. Rondônia teve papel central nesse comércio: o estado respondeu por 65% das importações nacionais, com aproximadamente US$ 51 milhões em compras, das quais US$ 43,58 milhões foram de ureia.
No início de 2026, a dependência continuou. Entre janeiro e fevereiro, o Irã foi o terceiro principal parceiro de importação de Rondônia, com movimentação de US$ 22,48 milhões. Desse total, mais de 90% correspondem à compra de ureia.
Além dos fertilizantes, o Irã também é um importante destino para o milho rondoniense. Em 2025, cerca de 8% das exportações do grão tiveram o país como destino. Já nos primeiros meses de 2026, o cenário mudou: o Irã passou a liderar as compras, adquirindo 13 milhões de toneladas, o que representa mais de 60% do milho exportado por Rondônia no período.
Diante da tensão, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificou o cenário atual como de elevadíssimo risco para o agronegócio brasileiro. Em notas técnicas urgentes, a pasta apontou preocupação com um possível desabastecimento de fertilizantes e a disparada dos preços internos já no segundo semestre.
Em Rondônia, a Federação das Indústrias (Fiero) reforça o alerta e defende medidas imediatas para reduzir a dependência do Irã. A entidade destaca que a diversificação de fornecedores é estratégica para garantir o funcionamento contínuo do campo e a competitividade das safras.
Segundo a Fiero, países como Venezuela, Bolívia, Rússia e Nigéria podem ajudar a suprir a demanda por ureia, fertilizante essencial para a agricultura, atualmente atendida em grande parte pelo Irã. A expectativa é que a busca por novos parceiros comerciais ajude a manter a produção agrícola estável, mesmo em meio às incertezas do cenário internacional.
Fonte: G1
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